Em Los Angeles, o terceiro dia do julgamento histórico envolvendo Meta e Google revelou uma의 disputa entre como pensamos o vício digital e como delimitamos o uso responsável. Adam Mosseri, CEO do Instagram, foi claro ao rejeitar a ideia de uma “dependência clínica” das redes sociais, propondo, em vez disso, a noção de um “uso problemático”. O tom não é de defesa corporativa impessoal, mas de uma conversa sobre como projetamos plataformas que capturam a atenção sem explorar vulnerabilidades. Mosseri citou um exemplo comum para diferenciar os conceitos: embora possamos exagerar dizendo estar viciado em uma série da Netflix após maratonas longas, isso não equivale a uma dependência clínica.
O foco do processo reside justamente nessa linha tênue: a denunciante Kaley G. M., de cerca de 20 anos, afirma ter sofrido danos mentais graves provocados pela rede social. Segundo a matéria, ela iniciou o uso do YouTube aos seis anos e ingressou no Instagram aos 11, migrando depois para Snapchat e TikTok entre dois e três anos mais tarde. Esses dados ajudam a entender o mergulho precoce no ecossistema digital que as plataformas defendem como parte normal da vida contemporânea, mas que também é alvo de questionamento sobre impactos na saúde mental.
Mosseri, ao depor, reforçou que não houve esforço da Meta para colocar lucros acima da segurança dos usuários. “Proteger os menores a longo prazo é bom até mesmo para os negócios e para os lucros”, afirmou, consolidando a ideia de que governança de produto não se resume a métricas de engajamento, mas a responsabilidades tangíveis com o público mais jovem. O depoimento de Mark Zuckerberg está previsto para 18 de fevereiro, seguido pelo chefão do YouTube, Neil Mohan, no dia seguinte, o que sinaliza a continuidade dessa discussão em câmera lenta para o ecossistema digital como um todo.
A notícia não é apenas sobre uma disputa jurídica: ela sinaliza como as grandes plataformas precisam conciliar atratividade de produto com bem-estar, comunicação clara com usuários e políticas que protejam crianças e adolescentes. Esse é um momento para refletir sobre como, em 2026, empregamos princípios de neurociência e saúde mental no design de interfaces, buscando reduzir riscos sem sufocar a inovação. A defesa de Mosseri reforça uma visão de longo prazo em que a sustentabilidade da relação com o público — uma relação que não se mede apenas por lucros imediatos — pode, paradoxalmente, favorecer o próprio modelo de negócio.
Essa discussão também nos convida a pensar de forma integrada: bem-estar, responsabilidade corporativa e consciência crítica sobre tecnologia não são antagonistas, mas pilares que se reforçam mutuamente. O que está em jogo vai além do que uma audiência jurídica pode decidir: é uma pergunta que atravessa o cotidiano digital de todos nós — como manter plataformas cativantes sem transformar o consumo em hábito nocivo? O caso promete não apenas definir precedentes judiciais, mas também orientar como empresas, reguladores e usuários constroem, juntos, um ecossistema mais estável e saudável.
Ao olhar para o que vem pela frente, vale perguntar: até onde a diferenciação entre uso problemático e dependência clínica pode guiar políticas públicas, políticas de empresa e práticas de design? E quais passos práticos você apostaria para equilibrar engajamento autêntico com proteção a quem está começando a navegar nesse mundo conectado?
🔍 Perspectiva baseada na notícia: 'Chefão' do Instagram nega 'vício clínico' em redes sociais durante julgamento histórico contra Meta e Google 🔗 https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/02/11/chefao-do-instagram-rejeita-a-existencia-de-vicio-clinico-em-redes-sociais.ghtml